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Inovar para progredir
A ideia central da gestão atual do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Ceará (Sinduscon-CE), que na última semana realizou a segunda edição do InovaConstruir, é inovar para progredir.
Inovar para progredir
Foto: Divulgação
Para o presidente do Sinduscon-CE, André Montenegro, a inovação tem que trazer junto ganhos de produtividade. Na entrevista a seguir ele fala mais sobre inovação, a necessidade de redução da burocracia e da retomada das vendas de imóveis. Elogia o alvará online, concedido em 48 horas pela Prefeitura de Fortaleza, e diz que esse é um exemplo que deve ser seguindo por outros órgãos públicos, cartórios, bancos e todos os envolvidos no negócio da construção civil.

O POVO - A inovação e a criatividade para os futuros empreendimentos vão substituir os descontos?

André Montenegro - A indústria moderna usa a máxima da Apple: fazer mais por menos. Isso só se consegue com inovação, com grande produtividade. A construção civil tem que passar urgentemente por um retrofit, o negócio tem que passar, em todos os sentidos, sem exceção. Vou citar um exemplo, nós fazemos uma casa de 42 metros quadrados, para a baixa renda, em cinco dias e o cartório me pede 30 dias para fazer o registro. Tem cartórios bons e outros não, tem cartórios excelentes, mas o prazo não pode ser esse. Eu tenho que ser eficiente como a indústria automobilística: eu entro num banco e saio com um carro financiado no mesmo dia. Eu fiz o dever de casa, eu construo com eficiência e o resto? Eu não posso pagar o preço pela ineficiência de outros.

OP - Em Fortaleza, melhorou com o alvará em 48 horas?

André Montenegro - Isso aí é sensacional. Onde eu vou eu cito o exemplo de Fortaleza. Tem que ser seguido por outros órgãos onde você tem que se licenciar.

OP - Como o senhor vê o momento atual do mercado imobiliário no Ceará e no Brasil?

André Montenegro - A gente tem circulado muito no Brasil, porque participamos das reuniões na Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), e a conversa é a mesma: o mercado retomou, embora lentamente. Agora, com mais solidez. Nós temos uma taxa de juros que deve chegar a 7% até o final do ano. Quem tiver seu dinheiro aplicado tem que aplicar em produção, a construção civil é produção. Por isso, que eu digo o melhor momento para comprar é hoje porque as construtoras ainda estão flexíveis nos preços e isso vai acabar porque as vendas vão ser retomadas.

OP - Qual o maior gargalo da indústria da construção civil?

André Montenegro - As empresas, os negócios têm que ser repensados urgentemente. As viabilidades econômicas dos nossos empreendimentos não estão dando mais. As nossas construções estão malucas, o nosso método construtivo é ruim, a burocracia é muito alta. Então, nós temos que repensar o processo como um todo. Os bancos, por exemplo, têm que se modernizar. Essa é uma luta grande e aí entra o valor das instituições, das entidades de classe que tem que peitar para mudar essa situação.

OP - O que representou para o Sinduscon-CE a segunda edição do InovaConstruir?

André Montenegro - Essa edição aconteceu por causa do sucesso da primeira. Se tornou um evento nacional onde as pessoas podem num só momento, ver as grandes tendências de novas tecnologias para a construção civil, o business da construção civil, processos construtivos, gerenciamento de construção, projetos urbanísticos e tecnologia disruptiva.

OP - A intenção do Sinduscon-CE é continuar com o Inova nos próximos anos?

André Montenegro - O InovaConstruir nada mais é do que um grande evento, com vários outros dentro, para promover ganhos de produtividade no negócio da construção civil. Nessa nossa segunda gestão a grande ideia central é “inovar para progredir”. A inovação tem que trazer, junto com ela, ganhos de produtividade. O setor carece de grande produtividade.

OP - O Inova é como uma reciclagem para os associados, para os agentes do mercado imobiliário em geral?

André Montenegro - Ele convoca as pessoas a pensar de forma diferente, a fazer de forma diferente. Para mostrar que existe no mundo e no Brasil cases que podem trazer ganhos para as suas empresas. Sempre fica uma lição nos eventos. Também existe um network importante dentro dos eventos, onde as pessoas trocam informações, experiências que podem gerar negócios. Podem até mesmo fechar negócios.

OP - Que avaliação o senhor faz do setor da construção civil no Ceará nos últimos anos?

André Montenegro - Como vários outros setores, sofremos com a recessão. Mais intensamente no período que vai do segundo semestre de 2015 até o primeiro semestre de 2017. A atividade econômica sofreu bastante em dois anos de grande recessão no País. O que a gente nota, no segundo semestre deste ano, com a queda de juros é que o dinheiro está deixando de ser especulativo no mercado financeiro e vindo para o mercado produtivo. Isso gera emprego. Gerando emprego gera renda e gerando renda as pessoas voltam a comprar. As pessoas estão voltando a comprar. Por isso, que eu sempre friso, o melhor momento para comprar imóvel é esse agora. As construtoras ainda estão flexibilizando preços, estão dando algumas vantagens e isso vai acabar.

OP - E os lançamentos imobiliários quando voltam?

André Montenegro - Só a partir do segundo semestre de 2018. Não sei precisar a quantidade mas sei que as empresas estão estocadas de projetos para lançar. Isso faz ganhar tempo porque elas não vão comprar terreno, já tem alvará, tem tudo pronto para fazer seus lançamentos e iniciar as construções.

OP - E como vai ficar a contratação pelo setor da construção civil?

André Montenegro - O desemprego ainda deve aumentar porque as empresas estão concluindo seus prédios e só vão lançar em 2018. Então, o desemprego deve crescer no primeiro semestre e a retomada do emprego só a partir do segundo semestre do próximo ano.

OP - Quantos empregos a construção civil gera do Ceará?

André Montenegro - Hoje cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos três vezes esse total.

OP - O que falta para a retomada do setor?

André Montenegro - Vendas. Mais vendas. Hoje elas estão acontecendo mais lentamente. Falta as construtoras venderem seus estoques, se capitalizarem e lançarem novamente.

OP - Muitas das tecnologias, como a da impressão 3D, ainda demoram a chegar por aqui. Quais são as que já estão sendo aplicadas nas construções do Estado?

André Montenegro - Nós temos estruturas pré-fabricadas de concreto, de aço; vedações em gesso, vedações em placas cimentícias. Esse prédio da Faculdade Maurício de Nassau, na avenida Aguanambi, por exemplo, está sendo construído com estrutura metálica e vedação de placa cimentícia, não é tijolo.

OP - Com isso se constrói mais rápido?

André Montenegro - Aumenta a velocidade de construção, aumenta a qualidade, reduz o desperdício e o tempo de construção. Reduz o tempo em 50%, no mínimo.

OP - A burocracia atrapalha mais que a falta de tecnologia na Construção civil?

André Montenegro - Atrapalha. A burocracia é um entrave muito pesado. Eu não quero citar só os cartórios, mas os bancos também tinham que ser mais rápidos na concessão de financiamentos, as prefeituras nos seus licenciamentos, o Estado, nos seus licenciamentos. Ou seja, os órgãos tinham que ser mais integrados para dar uma resposta mais rápida. Isso hoje para as cidades é um diferencial competitivo. Pode ter certeza que um alvará retirado em 48 horas é um diferencial competitivo.

FONTE: O Povo


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